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Uma voz do Pinheirinho

janeiro 23, 2012 -

Não dá pra ficar alheio diante das imagens da desocupação violenta da tropa de choque da PM no Pinheirinho, em São José dos Campos. Relato de moradores dão conta de que haveriam sete mortos. Um pai de família teria levado um tiro pelas costas e ficado paraplégico.

Hoje de manhã consegui o celular de um habitante da comunidade, que narrou um pouco dos momentos de desespero que acompanham esses homens, mulheres e crianças desde ontem.

Ele falou de um abrigo da prefeitura, onde todos aguardam a negociação para a retirada do que lhes restou do local. É pedreiro, tem seis filhos, e diz que nunca imaginou que um dia fosse presenciar tamanho desprezo à vida humana.

Revoltado e desesperado com tudo o que viu, ele prometeu não se calar diante do tratamento brutal que a comunidade vem recebendo desde ontem quando a desocupação teve início. “Precisamos divulgar isso pra todo o mundo.”

Surpresa

“Fomos pegos totalmente de surpresa. Acordamos com o choque chegando, lançando bombas de efeito moral, gás de pimenta. Ninguém reagiu. A gente sabe o relato de sete óbitos, fora os feridos. Um amigo estava com uma criança no colo e levou um tiro pelas costas. Pai de família, vai ficar paraplégico. É uma injustiça, falta de respeito, desprezo com a vida humana.”

Confusão

“Inicialmente as famílias foram levadas para um centro poliesportivo da prefeitura. Lá estavam separando mães e filhos, mulheres de maridos. Aí fomos para o pátio de uma igreja.”

Bairro sitiado

“Nós não temos mais o bairro do Pinheirinho. Está sitiado, fechado nos quatro cantos. A única vida que tem lá dentro são nossos animais de estimação que tivemos de deixar para trás e os policiais. A gente não pode chegar perto do Pinheiro, que estamos sendo recebidos a bala. Está um tumulto violento. O que nós queremos é tirar nossas coisas de lá.”

Noite

“A noite foi tensa. Ninguém dormiu, só uns cochilos. Aqui virou um Afeganistão. O cidadão brasileiro está tendo os seus direitos constitucionais desrespeitados.”

Confusão

“O momento é de desespero. Nós tínhamos dúvidas se íamos ficar ou não, tínhamos uma esperança e eles mataram nossa esperança. O pouco que nos restou estão barrando de deixar retirar. Está uma confusão generalizada.”

Ditador

“O prefeito é um ditador, um carrasco. Se fosse um homem que teria o mínimo de consciência com seus eleitores ele não teria feito o que ele fez.”