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Júlio quer ter a família de volta

setembro 8, 2011 -

A Caixa Econômica Federal está analisando a situaçao de Júlio César Monteiro de Pinho, 38 anos, deficiente auditivo que mora de aluguel em um imóvel em condições precárias e por isso tem uma filha de 12 anos abrigada.

O drama de Júlio foi mostrado pelo Diário no dia 19 de agosto último. Ele está cadastrado há cerca de seis anos em programas de habitação popular, e ficou de fora do sorteiro das casas do conjunto habitacional Nova Esperança, construído dentro do programa Minha casa, Minha Vida.

Em nota, a Caixa divulgou que irá estudar a possibilidade de enquadar o nome de Júlio nos critérios de elegibilidade e seleção do programa.
A Portaria 140, do Ministério das Cidades, abre algumas exceções que prevêem a dispensa dos critérios de seleção em casos como o de famílias que vivem em área de risco e a indicação, pelo ente público, de pessoas com deficiência de acordo com a quantidade de unidades habitacionais adaptadas ou adaptáveis do empreendimento.

O diretor da Emcop, José Antonio Basílio, explica que 498 famílias cadastradas ainda aguardam a finalização de análise de documentação pela Caixa Econômica Federal para receber uma casa no Nova Esperança. Segundo ele, no caso de eventuais exclusões por problemas na documentação apresentada, um imóvel desses selecionados deverá ser direcionado a Júlio. Basílio espera ter uma posição dentro de dez dias.

No dia 25 último, o caso de Júlio foi reanalisado pelo juiz da Infância, Osni Assis Pereira. Isso porque, num acordo firmado ano passado, a prefeitura havia se comprometido em providenciar moradia para que a menina voltasse a viver com o pai. A audiência teve a participação de um representante da Caixa, que pediu prazo de 60 dias para analisar o caso.

“Havíamos pedido ao juiz que um representante da Caixa estivesse presente na audiência, pois a seleção das famílias é por sistema de sorteio e para podermos destinar uma casa a decisão precisa ser concensual, junto com a Caixa”, fala o diretor da Emcop.

Júlio paga R$ 200 de aluguel, quase a metade do benefício de um salário mínimo que recebe da Previdência Social. Ele se comunica com a ajuda da filha mais velha, que traduz sua linguagem gestual. Júlio também é portador de diabetes, e está perdendo a visão progressivamente. Atualmente, enxerga apenas com o olho direito. Embora nunca tenha sido negligente, sua filha mais nova precisou ir para um abrigo em razão da baixa renda que a família possui.

Foto: Thomaz Vita Neto