Archive for abril \23\UTC 2011

Independente, independente, independente

abril 23, 2011 -

 

Nutria o desejo infame de aprender a fazer bolos, doces e outras receitas. Mas definitivamente não se tornou uma moça prendada. Era programada para ser independente, emancipada, e adorava a ideia. 

“Vai estudar, ter sua profissão. Não dependa de ninguém, muito menos de marido”, ensinava a mãe.

Saiu de casa para estudar. Não voltou mais. Encravado no seu inconsciente, o discurso que ouvia na infância  e adolescência volta e meia começava a piscar como um luminoso.

Seja independente! Seja independente! Seja independente!

A marca foi tão forte que houve situações cruciais, que decidiriam seu destino, em que agiu como um animal condicionado. Cega, nada era mais forte do que a necessidade de não pôr em risco a tal da independência.

Quando caiu em si, viu que o tempo tinha passado. Olhou à sua volta. Deu de cara com ela, apenas: a independência.

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Muito lindo!

abril 19, 2011 -

Adoro esse vídeo. Vejo Maria, minha sobrinha de 6 anos, que ainda não se libertou da tampa de borracha. Tb todos os adultos que ainda não conseguiram quebrar os grilhões. Talvez eu seja um deles…

Tia Elza e as galinhas

abril 18, 2011 -

Tia Elza é casada com tio Arlindo, irmão mais novo de meu avô Tonico. O casal mora em um sítio em Itajobi. Faz tempo que não os vejo, mas sei que já há algum tempo, tia Elza tem perguntado de mim.

A lembrança mais forte que guardo deles é a de um dia de minha infância que passei no sítio, vendo bois, vacas, cavalos, e galinhas. Foi mta diversão para uma menina de 6 anos.

“A tia Elza quer tanto te ver, me perguntou várias vezes como vc está”, repete minha avó, nos fins de semana em que a visito.

No último, ela retomou o assunto. “A gente podia aproveitar que vc está de férias e ir na tia Elza. Ela vai gostar, e agora que vc conversa… Conversa bastante com ela, viu.”

“Como assim, vó?”

“Ué… antes vc ficava quieta, não falava nada. Agora vc conversa.”

Fita-cassete, ela resiste

abril 14, 2011 -

 

Constatei semana passada, com um pouco de preocupação, que, além de mim, só dois colegas de jornal insistem em usar gravador de fita-cassete.

Mesmo sem ter me deixado na mão alguma vez, e até ganhar crédito quando lembro que o mestre Júlio Garcia andava com um no bolso, a mim, o gravador digital não inspira confiança. Preciso ver a fita rodando, e não me importo de carregar aquele trambolhão que ela implica.

“Aperta aqui, acende o verde, é porque está gravando”, ensinou, pacientemente, o repórter de política Pedro Guerra, em Sorocaba, numa das poucas vezes que fui para a rua com um modelo digital.

Hoje, a insistência no antigo é até motivo de piada. “Ah, Grazi, vc ainda usa gravador de fita, não acredito!”, virou um colega da minha faixa-etária. “E quando não fabricarem mais fita, como vc vai fazer?” – pergunta do secretário de redação.

Aí fiquei pensando… Até lá, profissionais como eu resistarão?

Esquisitices da infância

abril 13, 2011 -

 

Quem já passou dos 30, em algum momento da infância deve ter visto uma boneca muito esquisita, chamada dorminhoca. Não cheguei a ter minha própria dorminhoca, mas eram as de uma prima de segundo grau, Jamila, que faziam minha alegria nas tardes em que ia à sua casa.

Jamila morava em um imóvel com pés de pitanga no corredor lateral, e uma horta nos fundos muito bem cuidadada pelo tio Abdo – tudo naquele espaço me atraía.

Embora fosse boneca, a tal dorminhoca mais parecia um urso. Ficava apenas em uma posição, deitada de barriga para baixo. Usava touca, e sua roupa imitava um macacão de bebê, quase sempre de cores fortes – rosa, roxo, verde.

Lembro que era em direção ao quarto de Jamila que eu corria assim que chegava, em busca das bonecas esquisitas. Elas eram um desafio para mim – tão imóveis, tão sem vida, sempre na mesma posição, estiradas sobre a cama. Chegava a sentir pena.

Jamila era uma moça morena, de olhos verdes, que eu admirava em silêncio não só pelas bonecas com as quais ela me deixava brincar, mas também pela beleza. O tempo passou, ela foi cursar jornalismo e morar fora. A partir daí, passei a admirá-la também pelas suas escolhas.

Nunca voltou para Catanduva. Fui reencontrá-la qdo fazia faculdade, em São Paulo. Não era mais aquela menina. Era mulher, e com um filho, também jornalista, e com os olhos verdes herdados da mãe. Faz tempo que não a vejo. Nem sei qual fim levaram as bonecas esquisitas.

Capitu, a gata da internet

abril 11, 2011 -

 

Capitu é uma gata que teve a vida escancarada nas redes sociais nos últimos meses. Grávida, o parto da felina foi

Muito fofo (Foto: Gianda Oliveira)

narrado por sua dona no Facebook.

A cada nova postagem, aparecia uma enxurrada de comentários de motivação. “Vai, Capitu”, “Estamos com vc”, “Força, amiga”, e coisas do gênero.

Correu tudo bem com o parto e a vida seguiu. Até que, semana passada, me deparei com as fotos dos filhotes dessa personagem de Machado de Assis.

Me apaixonei e comecei a travar um debate interno. Adotar ou não um filhote de Capitu. Resolvi adiar. Afinal, gatos tem aos montes, não precisa ser agora. Quando tiver certeza, adoto.

Soube ontem que agora ela está na companhia de apenas um gatinho. Os outros bateram asas. Voltei atrás. “Se ainda não tiver dono vou querer esse.”

A alegria durou pouco. “Grazi, ele já tem dono. Esse vai para São Paulo.”
Humpf…

Bolo sem guaraná

abril 11, 2011 -

 

Surrupiei essa foto do site do Toninho Cury. Como muita gente que estava lá no momento registrado, essa figurinha de

Corte do bolo (Foto: Toninho Cury)

chapéu que entrevistei acordou cedo e pegou um ônibus em direção ao Recinto de Exposições para conseguir um pedaço do bolo de aniversário de Rio Preto. Ficou do “outro lado” da grade que separou as autoridades do público presente. Ela teve sorte. Ganhou seu bolo logo nos primeiors minutos do corte. Disse que levaria para os netos e vizinhos. “Tenho diabetes, não como doce.”