Archive for março \22\UTC 2010

Recompensa-se

março 22, 2010 -

Tico é um fox paulistinha que semana passada pregou uma peça em seu dono e ficou sumido dois dias depois de longos anos de convívio. Conheci a figura por foto, impressa no anúncio de seu desaparecimento. Recompensa-se, dizia. Fiquei pensando quanto seria o valor daquele cãozinho simpático, e que dificilmente ele voltaria para casa, já que é novo na cidade.

Pois ele foi encontrado a uns 2km de casa, machucado e com algumas manchas de óleo. Tinha ficado em frente à casa de uma estranha, que o acolheu, e por um golpe de sorte chegou até o desesperado dono. Um final feliz que me fez pensar que o inesperado às vezes acontece.

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Tsc, tsc

março 18, 2010 -

Em pé diante do nada

Imóvel, acuada

Será que tem algum buraco em que eu caiba?

março 14, 2010 -

TJ manda Prefeitura indenizar família por morte de criança

Graziela Delalibera

O Tribunal de Justiça manteve sentença da Justiça de Rio Preto que determinou o pagamento de R$ 87 mil pela Prefeitura de Rio Preto e pela Lécio Construções aos pais do menino Edemárcio Aparecido dos Santos de Lima, que morreu afogado em um poço cheio de água da chuva, no dia 2 de fevereiro de 1991, aos 9 anos, no bairro Solo Sagrado, zona norte da cidade. O valor é referente ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil, e de pensão de um salário mínimo mensal, a partir da data em que o menino completaria 14 anos, até a que alcançaria os 25.

O acórdão é da 11ª Câmara de Direito Público do TJ. “Minha vida acabou naquele dia. Vivo com medo de perder as pessoas, nunca mais fui a mesma. A ferida sarou, mas a cicatriz ficou”, disse a mãe de Edemárcio, a dona de casa Leivina Pereira dos Santos, 47.

Acidente

Na decisão da primeira instância, do juiz Antonio Roberto Andolfato de Sousa, da 3ª Vara Cível, o pagamento da pensão mensal era determinado a partir da data do acidente. Na época, a Prefeitura recorreu. Em seu voto, o desembargador Oscild de Lima Junior justifica que Edemárcio ainda não estava apto a contribuir com as despesas da família quando morreu, o que poderia fazer somente a partir dos 14 anos.

Como a sentença previu que o pagamento dos valores seja em caráter solidário, tanto a Prefeitura como a Lécio Construções, que não existe mais, são responsáveis pelo pagamento integral do débito, que será corrigido. O desembargador considera em seu voto que a culpa dos réus por negligência é patente. “O afogamento ocorreu em terreno de propriedade da empresa Lécio Construções e Empreendimentos, sobre o qual não havia qualquer manutenção ou benfeitoria, além de ser desprovido de muro impeditivo da entrada de transeuntes”, alega.

Ele assinala que o abandono da área fez com que as águas das chuvas se infiltrassem no terreno e causassem uma grande erosão, na qual se formou um pequeno lago, onde o menino se afogou, e que o município foi omisso diante do fato. “A par desta situação, não existia no local galerias pluviais, bueiros ou outros equipamentos que pudessem impedir o livre escoamento das águas da chuva para o terreno, o que pode ser considerada como outra omissão da administração municipal a contribuir para o evento danoso.”

Por fim, o desembargador relata que era natural a curiosidade das crianças diante daquele poço, principalmente pela existência de pequenos peixes, e bastante previsível um acidente. A mãe de Edemárcio ajuizou ação contra a Prefeitura e a construtora apenas em abril de 1996. Na época do acidente, ela já era separada do pai do menino, o catador de recicláveis João Pinheiro de Lima, 52, e vivia com o comerciante Sidney Alberto Pinto, 43. havia 4 anos, com quem é casada.

A reportagem apurou que o acidente com Edemárcio motivou um inquérito policial na época, que inocentou o proprietário do terreno. O advogado dos pais do menino, José Carlos Aguiar Buchala, não quis dar entrevista. A Prefeitura de Rio Preto informou que irá apelar.

‘Me deu um sorriso e se foi’

Dezenove anos depois do afogamento, a dona de casa Leivina Pereira dos Santos ainda se emociona quando fala sobre a última vez que viu o filho Edemárcio vivo. “Ele me pediu para ir brincar na casa do vizinho, eu respondi brincando que se ele voltasse sujo de barro ia apanhar. Ele abriu o portão e me deu um sorriso, e foi embora.”

Cerca de 20 minutos depois, um colega de Edemárcio foi chamar a família, dizendo que ele tinha se afogado. “Saí correndo até o terreno, onde vi uma poça d’água. Parecia rasa, mas entrei e afundei. Eu também quase morri. Meu marido conseguiu me tirar, fiquei deitada no chão e quando fui olhar ele estava com o corpo do meu filho nos braços.” Mãe e filho foram socorridos no Pronto-Socorro do Eldorado. “Lá eu já sabia que não tinha mais jeito.”

Ela teve outros dois filhos com o pai de Edemárcio, Lidenilson, hoje com 30 anos, e Edemarcos, de 29. Os dois vivem no mesmo bairro que a dona de casa. Na foto que ela até hoje mantém na estante da sala, os três aparecem juntos no último Natal de Edemárcio. “Eles sempre ganhavam roupas dos vizinhos, mas naquele Natal eu tinha comprado roupa nova.” Um mês depois, o filho mais novo morreria afogado. “Não existe dinheiro que recupere esse perda Não é fácil perder um filhoa assim”, disse o pai do menino, João Pinheiro de Lima.

Matéria publicada ontem no Diário da Região

O tempo

março 7, 2010 -

Durou alguns anos – tempo o bastante para ser o seu inferno   

Por muito tempo ela fez de conta que não tinha acabado

Durou até que a vida os separe 

Agora é dor

Fim

Dois contra uma rolha

março 6, 2010 -

“Amigo, sobe aqui, vamos tomar um vinho antes do show.” Uns 15 minutos depois, a campainha toca. Termino de me vestir às pressas, abro a porta ainda meio desarrumada, cabelos molhados e sem pentear. Estamos quase atrasados. Lhe entrego a garrafa de um chileno tinto e o saca-rolhas, e corro terminar de me aprontar. É um saca-rolhas barato, cabo plástico, precisa empregar certa força. “O som da rolha quando sai da garrafa compensa o esforço, ou melhor, o ritual” – sempre uso esse argumento com os amigos.

Ele gira o saca-rolhas o quanto dá, coloca a garrafa entre as pernas e puxa. Mais um pouco… Puxa de novo… Nada. Mais um pouco… Mais força… e o cabo do saca-rolhas desgruda da parte de metal e sai na sua mão. Me deparo com a cena. Desespero total: “Meu Deus, será que não vai ter jeito? Ensaiava abrir esse vinho desde o fim da tarde.”

A essa altura já nem lembro de terminar de me arrumar. A atenção está toda concentrada naquela garrafa, na rolha, no que sobrou do velho saca-rolhas. Um alicate resolveria. Alicate? Nessa casa não tem alicate. Penso em interfonar para o porteiro, mas o tempo está correndo – passar no banco 24 horas, achar lugar para estacionar, chuva para complicar… Não, ia demorar demais e nos atrasaríamos. Vamos tentar com uma faca.

Desenrosco o metal da rolha, e penso que agora vai… Ele enfia a ponta da faca em torno dela. Não dá em nada, e cada vez mais meu desejo por uma taça de vinho aumenta. Ele, conformado, decide comer um pouco do macarrão que havia recusado na chegada. Eu, indignada, continuo perseverante. “E se a gente enfiar para dentro o pedaço da rolha que sobrou?” Impossível, a essa altura a rolha está quase destruída, embora relute em sair da garrafa. “Se empurrar, vai esfarelar.” Verdade, aí para servir o vinho precisaríamos de um coador. “Amiga, melhor a gente ir, deixa esse vinho pra lá.” 

A garrafa ainda continua fechada. Preciso comprar um saca-rolhas novo.

No limite

março 5, 2010 -

Três vigias da Emurb perderam a cabeça na segunda-feira e bateram num ambulante dentro da rodoviária de Rio Preto. Acompanhei o caso pelo Diário e no dia da coletiva para anunciar a demissão dos envolvidos dei uma “mãozinha” ao colega Marco Aurélio Barbosa, do portal. Abaixo, o vídeo produzido por ele, que mostra imagens das agressões, cedidas pela Emurb.

Relato de uma família de brasileiros que vive em Concepción, Chile

março 3, 2010 -

Amigos, uma família de missionários da Igreja Presbiteriana Renovada está em Concepción, no Chile, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto. Eles são de Novo Horizonte e se mudaram para lá em dezembro com planos de ficar 10 anos no país. Desde a sexta-feira, a filha Eila, 18 anos, que ficou no Brasil, estava sem notícias dos pais e do irmão. Ontem conversei com ela, e fiz matéria para o Diário relatando sua apreesão. Hoje Eila conseguiu entrar em contato. À noite, conversei por telefone com o pai dela, José João da Costa, 47 anos, que está no Chile com a mulher Maria Angélica, 44, e o filho Rafael, 15. Mais tarde, o missionário encaminhou um relato ao Brasil sobre a situação na cidade. O principal medo da família no momento é em relação à possibilidade de mais um terremoto. Colo aqui pra vcs. Bjs

Sábado, 27 de fevereiro, às 3.30 da madrugada – fomos acordados surpreendidos por um, a princípio pensamos que era apenas mais um tremor. Já havíamos passado por um antes, mas só que este parece que nao queria passar. Imagine ter a casa chacoalhando de um lado para o outro e tudo vindo abaixo. Já nao havia mais luz. O que está acontecendo? E no 2o. andar de nossa casa, o abalo parece ser maior. Imagine quem vive em prédios. Só nos resta acordar o filho no outro quarto rapidamente e procurar sair o mais depressa possível. Salvar o que? Está jorrando água pela parede de um dos banheiros. Arrumar? Outra hora, agora é hora de salvar a própria vida, se der tempo.
Descemos para baixo em direcao às portas. A princípio ainda nao saímos esperando que viesse a passar. Mas parece que nao quer passar. Ficamos do lado de fora até que enfim deu uma melhorada. Apesar que depois segue o que chamam de réplica, que são tremores, por alguns segundos, várias vezes ao dia e noite, podendo o terremoto voltar ou nao. O medo maior é que volte. Gracas a Deus que até agora nao voltou e, se Deus quiser, não voltará. Comecam a chegar alguns irmaos da igreja e ficamos juntos cantando, orando e esperando o tempo passar até às 7 da manha, onde vao cada um para sua casa ver como está e tentar recomecar a vida. A nossa deixamos de lado por enquanto. Vamos ver como está cada casa. Todas danificadas, umas mais, outras menos. Um livramento: um muro desabou em cima da casa de uma irma da igreja que quase teve sua filha soterrada. A sorte foi que sua tia a tirou a tempo. Outra casa so nao caiu porque ficou escorada em outra.
 
Domingo – visita à cidade
Todos os mercados saqueados. Um, depois de saquear, atearam fogo. Caos, talvez, nao sei se é a palavra certa. O desespero das pessoas. Nao se vence bater fotos de casas caídas e danificadas. Alguns prédios vieram abaixo. Ruas rachadas. Muitos postes e fios soltos e pelo chao. Sem previsao para retorno da energia elétrica. Um prédio tombado, literalmente, rachado ao meio e tombado totalmente. Os bombeiros e cachorros buscando sobreviventes. Segundo se ouve, moravam 150 pessoas nele. É espantoso ver o que um terremoto pode fazer. Nao há luz, água, gasolina nos postos. Pessoas deixando suas casas. Pessoas desabrigadas, algumas em barracas. A imagem da destruicao. Onde se passa, um resquício de desabamentos. O dia inteiro ouvindo cirenes. Também foi dado toque de recolher. Após as 9 da noite não se pode sair de casa e ninguém estar na rua.
 
Segunda-feira
 
Estado de Sítio
Pela manhã o drama é ir buscar água em uma mina há 1 km mais ou menos de distância ( Lavar roupas, limpar a casa, fazer comida).
Ameaça de saque nas casas. Dada a ameaça de saque foi feito barricada na entrada das ruas, inclusive na nossa, devendo cada casa dar sinal (tocar a buzina do carro ou bater numa panela) caso perceba alguma coisa. Também foi feito um turno na rua entre os que tem arma, por 2 horas, devendo os mesmos usar uma faixa branca no braço para identificaçao. Hoje, após 3 dias sem água, graças a Deus a água da rua começa a chegar, os poucos. Um irmão, amigo nosso, que trabalha na Defesa Civil nos visita para saber como estamos e informa que estamos em Estado de Sítio e que também do prédio caído 5 pessoas conseguem sair por si só. Ainda há algumas pessoas desaparecidas.
 
Falta de informaçao
Tentativa frustrada de comunicacao com o nosso país. Fomos à Rádio local, polícia, etc., porém nao se tem qualquer meio de comunicacao, internet ou telefone, funcionando. Na nossa mente o pensamento: será que sabem o que está acontecendo conosco? Que sabem a nosso respeito? Que notícias tem?
 
Terca-feira
Madrugada de terca-feira coube-me fazer turno das 3 às 5. De minha janela vigiava a rua para ajudar a dar sinal ao guarda caso fosse necessário. Gracas a Deus nao aconteceu nada. 9 horas da manha, o dia já está claro. Nas ruas, ninguém: nao se pode sair das casas, só ao meio-dia. Estávamos tomando café, quando, percebemos, chega a luz e com ela a internet, com a qual podemos nos comunicar com o nosso país e poder dizer: ESTAMOS VIVOS E BEM, GRACAS A DEUS.
 
Situaçãoo atual:
Temos comida, economizando, para uns 15 dias +-. (Nao sabemos quando os supermercados vao normalizar. Estao destruídos).
As pessoas estao sem trabalhar. Tudo precisa ser reconstruído. Tudo precisa voltar ao normal. Até porque tem o toque de recolher.
Que Deus nos ajude e ajude o Chile a se levantar. OChile é do Senhor Jesus!
Ao escrever esta, mais um tremor, fora os vários que houveram durante o dia.
Obrigado a voce que tem orado e intercedido por nós. Que Deus nos abencoe.

Pr. José João da Costa e família