Archive for dezembro \17\UTC 2009

Pausa no sábado

dezembro 17, 2009 -

Motivos para brindar não faltavam naquela tarde, num bar da Benedito Calixto. Sentadas numa mesa na calçada, sambinha ao fundo, eu e Débora tínhamos acabado de dar o primeiro gole em nosso chopp gelado (antes havia passado na casa dela e tomado um café, é claro).

“Xi, tem cadeira voando ali, é briga”, disse Débora, de frente para a Teodoro Sampaio. Eu me virei e, sem óculos de grau, não vi sinal de tumulto. Só enxerguei mesmo quando ela gritou “fumaça!”. 

Era fumaça, numa enorme nuvem, e correria. Covardia. A única reação foi pular da cadeira. A moça ao lado teve a mesma idéia. Esbarrou em nossa mesa e o chopp foi todo derramado. Logo um segurança com o paletó apertado na barriga veio correndo enquanto falava ao celular. História descoberta.

Briga de trânsito após colisão entre ônibus e carro, com direito a cadeira voando e jato de extintor. Eram 16h de um sábado tranquilo em São Paulo.

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Despedida

dezembro 17, 2009 -

Mais uma vez estive às voltas com temas de Natal em Jundiaí. Foi na minha última pauta cobrindo férias no BOM DIA, sexta-feira passada. Era a chegada do Papai Noel no Natal oficial, promovido pela Prefeitura no Jardim Botânico. Ele chegou de carruagem e foi direto para uma lona montada onde crianças o aguardavam ouriçadas. Logo percebi que se tratava de Papai Noel de primeira viagem, sem a eloquência do Borjão do post aí embaixo. “Obedeçam pai, mãe, professores, diretores, que o brinquedoé consequência.” Foi esse o recado que ele deu à impaciente platéia.

Na sequência, subiu uma ladeira e se instalou na Casa do Papai Noel, onde vai receber a visita dos pequenos até o dia 23. Na hora de falar com jornalistas, ele fez questão de mostrar que é bem real: “Sou aquariano. Aquariano é água, é chorão”, se justificou, emocionado, e lembrou: “Sou torcedor do Paulista, sofro muito, choro…”

Quando voltei à redação, descobri que o figura é o torcedor número 1 do time de Jundiaí. Num jogo do Paulista emRecife, foi o único torcedor filmado na arquibancada do time visitante, me contou Pescarine, o editor-executivo do BOM DIA. Nada melhor do que alguém da cidade para nos colocar a par dessas particularidades.

Só aí assimilei uma outra particularidade que esse Papai Noel, que é ferroviário aposentado e tem 66 anos,  me contou: “Aqui é tudo original – a barba é minha, e a barriga é de chopp.” Ele prometeu que até o Natal está na Lei Seca.

PS – Vale dar um registro das gêmeas de 77 anos e com alma de criança que conheci naquele dia. Notei a presença da dupla quando elas subiram a ladeira que leva até a casa do Papai Noel no Jardim Botânico. As irmãs pegaram fila junto com as crianças para tirar foto com o bom velhinho torcedor do Paulista. “Nunca tinha visto assim tão de perto. Morei no sítio quando era criança e não tinha nada disso”, me falou Ana.

As gêmeas são elas (Clodoaldo de Silva)

Antes da farda

dezembro 9, 2009 -

 

Clayton Silva e seu mágico: gosto pelo lúdico (Foto: Clodoaldo de Silva)

Ele é policial militar mas tem sorriso de criança. Clayton Silva pinta desde os 11 anos e foi uma grata surpresa na noite de ontem, quando fui cobrir o sorteio do Amigo Secreto do BOM DIA. Este ano o projeto tem a participação de 27 artistas plásticos jundiaienses que irão trocar suas obras e doá-las a entidades beneficentes, entre os quais o policial militar.

Clayton criou uma tela exclusivamente para o Amigo Secreto, que retrata o famoso mágico Harry Houdini.  “Gosto de pintar coisas lúdicas e minha idéia com esse trabalho foi criar um mágico que acabasse com a miséria e as desigualdades sociais”, me contou depois do sorteio. A conversa precisou ser interrompida por um colega de farda. Um roubo no centro da cidade fez o artista deixar o evento às pressas. A mágica durou pouco.

‘Barba da hora’

dezembro 8, 2009 -

Semana passada passei uma agradável manhã, apesar do calor intenso, na escola municipal Ruth Carturann, em Jundiaí, onde o Papai Noel Washington Borges, 42, o Borjão, foi sabatinado por crianças de 5 e 6 anos. O encontro foi intermediado pelo editor-chefe do BOM DIA Jundiaí, Edu Cerioni. Me emocionei em alguns momentos com as crianças, e no final, com o altruísmo de Borjão, que narrou um pouco de sua rotina neste final de ano. A matéria foi publicada no domingo. Vou colar o texto aqui e uma foto do Julio Monteiro, que me acompanhou. 

Claudemir, o carrapadinho na perna do Papai Noel Borjão

Pendurado na perna de Papai-Noel, ele sorria sem parar. Não desgrudava do visitante e dava impressão de que nem conseguia respirar. Atarracado ao homem de barba branca, óculos de grau e vestes vermelhas, com gorro, o semblante do menino era de satisfação. 

Era a hora de fazer pose para foto e, embora todos os alunos do período matutino da Escola Municipal de Educação Básica Ruth Carturann Wiemann, no Jardim Tarumã, estivessem ao lado do bom-velhinho, era só aquele menino que eu conseguia enxergar. 

Cabelo raspado nas laterais, ele lembrava um carrapatinho grudado ao Papai-Noel. “Agora eu te peguei. Você não me escapa.” Imaginei o que o garoto estaria pensando naquele momento. “Falem batatinha”, pediu Julio, o repórter fotográfico que me acompanhava. O menino riu, gritou batatinha. Papai-Noel gostou da brincadeira, repetiu várias vezes com as crianças, intercalando com alguns ho, ho, ho. 

Quando o retrato foi desmanchado e os alunos deixaram o convidado respirar, não pensei duas vezes. Queria saber o nome daquela figurinha que tinha grudado no barbudo. Orgulhoso, Claudemir Victor Ávila Cassiano, 7 anos, me contou que conseguiu passar a mão na barba do Papai-Noel Borjão. “É dá hora”, garantiu. 

Alguns minutos antes, outro aluno da escola, Guthisson Henrique Gonçalves Andrade, 6, tinha despertado em mim o mesmo sentimento. As crianças de sua sala haviam sido surpreendidas pela chegada do Papai-Noel, que convidava a turma para sair ao pátio, onde ele receberia uma homenagem e, depois, seria sabatinado pelos alunos. Primeiro da fila, Guthisson deu dois cutucões na barriga farta do Papai-Noel. “Será que ele está checando se o homem é mesmo de verdade?”, pensei. 

O fato é que a manhã de quarta-feira foi mágica na escola Ruth Carturann. Depois de entrar em cada uma das salas, Papai-Noel se acomodou numa cadeira embaixo de um ventilador no pátio da escola e dispensou às crianças toda a atenção que elas merecem.

Antes das perguntas, os alunos cantaram “Feliz Seja o Seu Natal”, “Bate o Sino”, “Os Anjinhos” e “Sapatinho na Janela”. Quem viu o encantamento que Washington Borges, 42, o Papai-Noel que comanda a festa do Natal do Sonhos no Centro (organizada pela ACE, Associação Comercial e Empresarial), teve com a recepção, dificilmente imagina que ele faz isso há 15 anos. “É uma satisfação muito grande.”

 

Solidariedade 

“Eu ia trazer meu bugnoel, mas aqui não tem lugar para estacionar”, se justificou Borjão, logo ao encontrar a reportagem na manhã quente de quarta-feira num corredor da escola Ruth Carturann. Com a agenda lotada nesse mês de dezembro, mas com o coração imenso, ele arrumou um horário e vai retornar à escola e fazer a entrega dos presentes. 

Desde quinta-feira, esse Papai-Noel faz três eventos por dia, e ainda alia à sua rotina trabalhos sociais, visitando orfanatos e escolas. Todo Dia de Natal, ele passa com crianças carentes e tem um ritual que cumpre há pelo menos dez anos. “Sempre às 18h do dia 25 tiro toda a barba e deixo crescer durante o ano todo”, explica. “Brinco com minha esposa, que eu começo o ano mocinho, viro lobisomem e depois me transformo no bom-velhinho”, fala. 

Pergunto sobre como essa história começou. Ele hesita um pouco e comenta que não gosta de falar no assunto. “Era uma época difícil na minha vida. Tinha uma vaga de Papai Noel no Maxi Shopping, resolvi arriscar e deu certo.”

Memórias das comidinhas

dezembro 3, 2009 -

Nas últimas três semanas tive o prazer de pisar todos os dias na redação do BOM DIA Rio Preto. Um freela me proporcionou uma viagem ao passado.

Tive a sensação de voltar para casa, embora na minha época não existissem as balas de côco que agora Maria Elena Covre leva ao jornal, e que depois de devorá-las eu ficava prostrada.

Também não havia o macarrão no copo que para buscar é só atravessar a Andaló, nem um tal de Tempero Manero que se instalou do outro lado da avenida e disputa clientes do Salada e Cia.

Lembro que uma noite, esfomeada, senti saudades dos sanduíches elaborados que Alexandre vendia no início do jornal. “O moço do sanduíche natural está aí”, alguém anunciou. Desci depressa e animada, mas logo vi que não era nada daquilo.  

Para felicidade geral, o Britos continua  no mesmo ponto, apesar da restrição de horários na entrega, o que às vezes nos deixa na mão. Meu melhor momento gastronômico foi quando pedi uma esfirra sem a menor pretensão, e ela veio dos deuses, recém-saída do fôrno. A massa fininha meio crocante, e no interior um recheio fumegando.

O trabalho acabou sexta-feira. Saudades dos amigos e da esfirra do Britos.