A arte de Orígenes

Era uma pequena banguela de 7 anos quando minha mãe resolveu me matricular num curso de artes. As aulas eram pela manhã, num galpão com longas bancadas de madeira, e cheiro de tinta guache e giz de cera no ar. Lá, eu não via o tempo passar, debruçada sobre minhas pinturas em folhas de sulfite.

O professor se chamava Orígenes, nome que soava como um enigma para mim. Graças àquele curso, dois momentos mágicos marcaram minha infância. 

Homem alto e esguio, de bigode e voz grave, Orígenes um dia levou a turma para visitar uma exposição de telas a poucos metros do curso. Aniversariante do dia, pude andar ao lado dele, de mão dada, sem precisar encarar qualquer disputa com os colegas. Lembro que nunca tinha me achado tão importante.   

Em outra ocasião, desenhava distraída quando minha mãe, grávida, apareceu de surpresa. Ela vestia um conjunto de calça e bata de algodão, e estava sorridente como sempre, com seus cabelos mais curtos e o barrigão à espera de Vinícius. Diante das outras crianças, fiquei orgulhosa por aquela mãe ser a minha.

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2 Respostas to “A arte de Orígenes”

  1. Maíra Says:

    Que lindo Grazi. E simples, como mãos dadas e barriga. Qualquer dia.
    bjo

  2. Glauco Souza Says:

    Que bonitinha… toda orgulhosa, de mãos dadas com o professor e com a barriga da mãe, desde criança já era meiga.

    bjo

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