Archive for abril \30\UTC 2009

Momentos raros

abril 30, 2009 -

Se por um lado, o desalmado que furtou o papagaio de João Vitor, 4 anos, até hj não foi tocado pelos apelos para que devolva o bicho, por outro, tive a felicidade de ser procurada entre ontem e hj por duas almas boas, com a intenção de ajudar a dona Rute, a mulher que cria sozinha três netos, e na terça-feira estava na fila da casa própria, em Votorantim, cidade vizinha de Sorocaba. Como diz o Deda, essas coisas é que valem na nossa profissão. Aproveito pra postar uma foto de dona Rute, feita por Epitácio Pessoa.

Outra felicidade desta quinta-feira pré-feriado foi a de saber que Rogério, um menino de 9 anos que sofreu traumatismo craniano após cair de uma laje de três metros, saiu hj do hospital. O acidente foi doméstico e aconteceu na semana que voltei das férias. O avô, seu Rubens, disse que ele está bem, fala e anda normalmente, mas só um pouco assustado. Seu Rubens já tinha cantado a bola um dia depois do acidente: “Rogério é forte, ele vai sair dessa”. O menino nasceu prematuro e já havia ficado numa UTI quando bebê.

PS – Sei que o que escrevo aqui beira o inútil. Já ouvi opiniões assim. Que seja… o espaço é pra contar histórias que tenham vida. De textos impessoais, sem rosto, os jornais e os sites de notícias tão cheios. Enfim, se algum internauta perdido ou um amigo curioso aparecer por aqui, bom feriado. Estarei em Catanduva nos próximos dias. bjs   

Ela sonha... (Epitácio Pessoa)

Ela sonha... (Epitácio Pessoa)

Antônio

abril 29, 2009 -

Fiquei comovida ontem com a história do torneiro mecânico Antônio, um trabalhador que foi surpreendido numa madrugada de novembro passado pela notícia de que o filho tinha sido preso em flagrante acusado de tráfico de drogas. Mês que vem se completam seis meses que o rapaz está detido. Felipe frequentava o segundo ano do ensino médio e trabalhava. Passou Natal, Ano Novo, e aniversário – domingo passado, quando completou 19 anos – na cadeia. Em todo esse tempo, Antonio não tem feito outra coisa a não ser tentar colocar o filho em liberdade. Encontrei com ele por acaso na sexta-feira passada em frente ao fórum e ontem fui escutar sua história, que o BOM DIA deve publica em breve. Ele chorou. Fiquei com um nó na garganta. A luta não tem sido fácil.

PS –  Rute do post abaixo pegou a fila da casa própria ontem. Hj fui adicionar uma foto e desconfigurei tudo, achei melhor postar de novo, mas mantive como no original.

Uma casa para Rute

abril 29, 2009 -

Hoje foi a quarta vez nos últimos dez anos que Rute Batista Ferraz, 55, preencheu um cadastro na esperança de entrar num programa habitacional. Ela acordou cedo e foi para um dos pontos onde a Prefeitura de Votorantim realiza o censo que levantará o déficit de moradia da cidade, que servirá de base para o “Minha casa, minha vida”, por meio do qual o presidente Lula prometeu construir um milhão de casas.

Cheia de esperanças, ela sorria enquanto entregava os documentos para a atendente, numa tenda montada na praça de uma quadra. A abordei na saída e descobri que Rute cria três netos – Vitor, de 5, Karen, de 9, e Keren, de 12, e que não é raro depender da sorte para conseguir pagar as contas no fim do mês. “Ah, mocça, minha filha foi embora”, explica, encabulada. “Fiquei com a guarda deles.”

Carteira assinada, ela não tem. Até o fim do ano passado, contava com a ajuda do Bolsa Família, mas o benefício, de R$ 60 mensais, foi cortado. Agora, tem garantido apenas um vale-alimentação que recebe todo mês do ex-marido, no valor de R$ 168. Ela faz bicos – pequenos consertos como costureira e crochê. Mas só com o aluguel se vão R$ 200. “Estou confiante em Deus. É uma promessa.”

No momento, Rute procura outro imóvel para alugar. O proprietário da casa onde mora quer colocar tudo abaixo e erguer no terreno uma loja de materiais de construção. “Está difícil achar outra casa no valor que eu pago. É tudo mais alto.”

Rute está enquadrada na faixa de famílias de baixa renda, entre 0 e 3 salários mínimos, considerada prioritária para o programa do governo federal. O presidente da COHAP (Companhia Municipal de Habitação Popular), de Votorantim, Jaime Augusto Rangel Filho, disse que a autarquia possui uma área onde é possível construir 600 unidades populares, e que deve ser destinada a esse fim. Tão otimista quanto Rute, ele acredita que haverá interesse de empreendedores.

Em Votorantim, o déficit habitacional é estimado em 8,5 mil unidades, segundo dados do IBGE. A enorme procura para o cadastramento surpreendeu a administração municipal, que havia confeccionado inicialmente 10 mil formulários para o censo. Precisou de outros 10 mil. Na solenidade de assinatura do termo de adesão entre prefeitura e Caixa, autoridades falaram na construção de mil moradias.

Espera (Foto: Teylor Soares)

Espera (Foto: Teylor Soares)

Normal assim

abril 26, 2009 -

 

Um olho no truco e o outro em mim: esse é o seu Chiquitano (Foto: Epitácio Pessoa)

Um olho no truco e o outro em mim: esse é o seu Chiquitano (Foto: Epitácio Pessoa)

Nada de celular, I-pod, computador. Ele é do tempo da vida simples. O  aposentado José Chiquitano Filho passou boa parte de sua história como carpinteiro da Estrada de Ferro Sorocabana. Agora, aos 95, não abre mão da companhia dos amigos em torno de uma partida de truco, e fala que ainda tem disposição para limpar o quintal de casa, onde mora com filho, nora, e dois netos.

Chiquitano usa bengala e chapéu, além de manter um farto bigode e a barba bem feita, o que o destaca entre o grupo que freqüenta a Praça Dona Olinda de Castro Afonso, a Praça do Truco, na Vila Progresso. “Sou o número 1 aqui, quando cheguei no bairro só tinha umas dez casas”, fala, sem esconder a satisfação.

Contrariando as estatísticas, ficou viúvo há 10 anos. A companheira, dona Berta, morreu a cinco dias de completar 80. Tiveram oito filhos (seis  vivos), dez netos e seis bisnetos. 

O carteado acontece numa tarde cheia de sol, protegido sob a sombra de uma árvore. Enquanto conversa, os olhinhos azuis dificilmente se desviam do baralho. E a saúde? “Semana passada fiz exame do coração e da urina, deu tudo normal.”

O aposentado só não está 100% por causa das pernas, um pouco fracas.  Ainda assim, ele nem pensa em se entregar à idade. Todos os dias após o almoço caminha três quarteirões até a Praça do Truco, de onde retorna apenas no fim da tarde, também a pé. “Como um pouco menos do que antigamente. E também gosto muito de fruta”, revela, sobre sua disposição que dá inveja.

PS – Recebi um e-mail que diz que a história de seu Chiquitano tá “mto normal”. Para ficar de acordo tomei a liberdadede trocar o título, de “Simples assim”, para “Normal assim”. Prometo que o dia que cruzar com algum velhinho de 95 anos que toma viagra  e tem 4 mulheres, ou que é atleta, corre 10km por dia, publico aqui. Bjs

Sem tempo de chorar as pitangas

abril 23, 2009 -

 

Primeiro turno: na porta do PAT com senha 870 para concorrer a vaga de impressor (Fotos: Teylor Soares)

Primeiro turno: na porta do PAT com senha 870 para concorrer a vaga de impressor (Fotos: Teylor Soares)

Quando fui ontem de manhã até a porta do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), em Sorocaba, imaginei que fosse encontrar mais uma história triste – gente de cabeça e auto-estima baixas, sem registro em carteira há anos. Doce engano. Dei de cara com João Carlos Vieira dos Santos, 38 anos. De tão inspiradora, sua história foi publicada hoje no BOM DIA em Sorocaba.

Desempregado há seis meses, ele não fica choramingando pelos cantos, nem espera qualquer espécie de ajuda de programas sociais. “Minha ex-mulher tem essa mania, vai buscar cesta básica numa igreja. Eu morro de vergonha disso. Corro atrás.”

É verdade. João Carlos aposta mesmo é em sua capacidade para ganhar o pão de cada dia. Há mais ou menos um mês, viu na TV uma reportagem sobre o serviço de “marido de aluguel”, achou interessante, e decidiu arriscar: colocou anúncio em jornal se oferecendo para fazer consertos domésticos. “Consertamos quase tudo”, avisa seu cartão.

E o desempregado não reclama desse novo bico, pelo contrário, o compara até a uma “terapia”. A maioria dos clientes é mulher, mas ele também atende imobiliárias. Apenas semana passada, com três trabalhos, recebeu cerca de R$ 200. “Já deu para pagar a pensão.” João Carlos é pai de duas meninas, uma de 10 e outra de 11 anos.

Ele tem larga experiência como impressor de off-set. Foi demitido numa onda de cortes. Conta que a primeira vez que pisou numa gráfica foi aos 9 anos, e começou como ajudante. Daquela função, mantém o hábito de usar um jaleco azul, que veste quando vai prestar seus serviços.

Também não abre mão da companhia de seu velho Fusca, onde carrega, além de ferramentas, produtos do apiário que tem em sociedade com o irmão, em Iperó. “Quando saio, já aproveito para oferecer mel, sabonete, própolis, pomada, levo tudo no carro.”

Ontem, ele ainda achou tempo para concorrer a uma vaga de impressor. Estava na fila do PAT com a senha número 870. “Quero ver como é a vaga, onde é a empresa, e vou atrás também”, planeja. “Quem sabe eu dou sorte e pego um turno que dá para conciliar.”

Se depender do endereço, a figura vai longe: sua casa fica na rua do Amor, no bairro Jardim Santa Fé. Quem se interessar pelos produtos ou serviços de João Carlos deve ligar para (15) 9756-5427.

Aqui, de uniforme, prepara ferramentas e produtos de apiário para carregar em seu Fusca

Aqui, de uniforme: ferramentas e produtos de apiário vão junto no Fusca

João Vitor e o papagaio

abril 23, 2009 -

Amigos, enviei essa nota agora a pouco pro site do jornal BOM DIA. Reproduzo aqui:

 

O menino João Vitor, de 4 anos, que teve seu papagaio de estimação furtado no último domingo de sua casa, na Vila Fiori, em Sorocaba, continua chorando por causa da ausência do animal.
 
A mãe dele, Fernanda Aparecida Cardoso, 35, foi reconhecer dois papagaios ontem, quarta-feira, mas nenhum deles se tratava do lôro de João Vitor. “Tenho esperança de que o animal vai aparecer”, confia.
 
Nascido aos cinco meses, o garotinho tem paralisia cerebral leve e toma fortes medicamentos. Para acalmá-lo, Fernanda conta com a ajuda dos bichos.
 
Em sua casa, há também uma calopsita, um gato e dois cães. “Mas o preferido dele é o lôro”, fala a mãe.
 
Quem tiver informações sobre o animal deve ligar para: (15) 3232-5764, ou 8129-0809.

 

PS – Parece ironia –  observei que em um dos posts recentes publiquei foto do personagem José Facci com seu papagaio de estimação, cena que não tinha mto a ver com o contexto (ele estava com o bicho qdo fui me despedir, e registrei)

abril 21, 2009 -

João Vitor, um garotinho de 4 anos, teve o papagaio de estimação furtado de sua casa, na Vila Fiori, em Sorocaba, no domingo. Fernanda, a mãe dele, está desesperada. Conversamos no fim da tarde e ela contou que o filho tem paralisia cerebral leve e, desde domingo, já teve três convolsões, e não pára de perguntar do animal. A mãe disse que escondeu a gaiola, e responde que o papagaio foi viajar e logo retorna. Esperamos que devolvam o animal.